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sábado, 12 de setembro de 2009

O Feijão nosso de cada dia.





Pesquisas arqueológicas indicam que o feijão é um cereal originário das Américas, onde era cultivado há cerca de sete mil anos, inicialmente no México e na Guatemala e depois nas partes mais ao sul do continente. No último quarto do século XVI Pero de Magalhães Gandavo testemunhava: "Há nesta terra muito arroz, fava, feijões" E em Notícia do Brasil, Gabriel Soares de Souza seria ainda mais explícito:

"Dão-se nessas terras infinidades de feijões naturais dela, ums são brancos, outros vermelhos e outros pintados de branco e preto..."

Do feijão pode-se dizer, em suma, que acompanhou o próprio desenvovimento do país enquanto Nação: apenas quatro anos após a Independência, o viajante Carl Seidler afirmava categoricamente que:

" o feijão, principalmente o preto, é o prato nacional e predileto dos brasileiros."

Os índios não comiam carne de porco, a nã ser aqueles que já se encontravam aculturados ou haviam sido escravizados pelos europeus. Mas eles comiam o porco do mato, o caitetu e o porco da água, a capivara, uma carne muito popular no Brasil ainda hoje e que quer dizer "comedor de capim", de qualquer forma, na passagem do feijão com arroz para a feijoada, tudo indica que a tradição portuguesa "dos fornos dos mosteiros, célebres pelos seus presuntos de fumeiro e paios de lombo", conforme destacou Gilberto Freire, faria o resto.

No entanto, temos a impressão que, após a leitura de diversos relatos é que a feijoada foi se criando pelas camadas populares de forma instintiva, dessa forma o viajante inglês Walsh observou que no ano de 1808, o principal prato do Rio de Janeiro era o feijão com toucinho e carne seca. Havia ainda quem acrescentasse farinha de mandioca e laranja à carne seca. Caminhando por Minas Gerais em 1817, Saint-Hilaire observou "que o mineiros têm o costume de servir as laranjas cortadas em quatro, juntamente com os outros pratos, esse feijão de transição era consumido até pelo prisioneiros da cadeia pública do Rio de Janeiro. Foi pelo menos o que constatou o francês Jean-Baptiste Debret, em visita a cidades no início do século XIX. Debret diz que essa alimentação, levada por parentes e amigos dos presos, consistia em "carne fresca, toucinho, carne seca, feijões pretos, laranja e farinha de mandioca".

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